Domingo, Dezembro 27, 2009

Ride - Nowhere


Se há um rótulo que o pessoal deste blog acha muito "maneiro" este rótulo é o Shoegaze. Um nome que a princípio não diz nada, longe de ser algo como space rock ou heavy metal, quais tens suas explicações explícitas em seus nomes, o shoegaze faz tu imaginar qualquer coisa, ou vai dizer que antes de saber o significado desse subgênero do subgênero do rock alternativo, imaginava que tinha algo a ver com guitarras barulhentas e lindas melodias?
Pois bem, o Ride, um quarteto inglês, formado no final dos anos 80 em Oxford, conheceu o rótulo logo em seu nascimento e desde então trataram de renegá-lo (totalmente em vão, pois até hoje são "famosos por ele). Nowhere foi o primeiro disco do grupo, lançado pela aclamada gravadora Creation, é tido como o grande clássico do grupo e um dos maiores discos da década de 90. Curiosamente, esse disco é também conhecido como "o segundo maior clássico do Shoegaze", ficando atrás apenas de um disquinho chamado Loveless, a grande obra prima do My Bloody Valentine.
Tendo como elemento principal as guitarras barulhentas, ecoando disco a fora, o Ride também consegue, e muito bem, aliar todo esse trabalho noise e dar uma linda forma para essas 11 canções. A abertura não poderia ser diferente, "Seagull" te joga diretamente dentro de um redemoinho de guitarras e chega te "embaçar" os ouvidos. "Polar Bear" e "Dreams Burn Down" mostram a face mais melódica do grupo, num clima bem cinzento e melancólico, sem perder a beleza e o zumbido.
"Taste" é o único single do disco, segue uma linha mais pop, na linha do rock inglês 80/90, fortes influências de Smiths e Jesus And Mary Chain. O título de música mais bonita do disco, sem sombras de dúvidas, vai pra "Vapour Trail", com uma introdução emocionante, carrega um instrumental impressionante, um trabalho realmente fantástico. A faixa título fecha o disco em grande estilo, "Nowhere" tem o poder de te levar exatamente para a imagem da capa do disco e dá a sensação que está te levando para seu título: nenhum lugar.
Não tenho costume de descrever e citar músicas, porém, quando todas as músicas estão acima da média, fica difícil. Um dos maiores clássicos perdidos da década passada e de todos os tempos. Download.

Domingo, Dezembro 13, 2009

Built To Spill - Keep It Like A Secret

Guitar Bands talvez seja uma das definições mais legais que existem na cena musical. É um termo bem específico, nem tão usado e acredito que nem seja tão "oficial" quanto qualquer outro, mas quando tu ouve alguma banda que possa se encaixar nessa classe, tu sabe dizer rapidamente.
Não se trata de uma banda com 30 guitarrista em cima do palco duelando heroicamente, só pra ver quem faz o maior solo com o maior números de notas por segundo em menos tempo, longe disso. De certa forma houve uma "revolução" quando os Pixies, Dinosaur Jr., entre outros resolveram usar a guitarra como o instrumento principal de suas bandas, todo o som é guiado pela melodia das seis cordas.
O Built To Spill é uma das melhores crias dessas tais Guitar Bands. Tu se dá conta disso quando conhece o mentor da banda, o incrível senhor Doug Martsch, o cara que tem a habilidade de fazer músicas pegajosas, densas, impactantes que consegue sôar totalmente descompromissadas, logicamente, aliadas as letras cotidianas, confusões e encrencas que passam na mente, cantadas de maneira limpa e bonita. Essa definição foi ridícula, mas foi o mais perto que consegui.
Formado em 92, em Idaho, Keep It Like A Secret é o quarto disco do grupo, lançado em 1998, e foi o responsável por equilibrar o status comercial da banda, que era bem fraco, com o status de sucesso crítico, que foi as alturas com o lançamento do álbum anterior, um dos clásssicos do grupo, Perfect From Now On.
Uma das características da banda, presente nos álbuns anteriores, são aquelas Jams enormes de solos guitarreiros que te levam numa viagem sem fim, influência pura do mestre Neil Young. Nesse disco também estão presentes, porém não tão evidentes, ao invés de fazer poucas músicas de longa duração, todas aquelas jam cerebrais foram diluídas através das 10 faixas do disco, por isso todos dizem que este é o disco "pop" do grupo. Não discordo, porém o Built To Spill não é uma banda que chega ser "inacessível", bem pelo contrário, o grupo consegue fazer canções muito boas, de melodia tristonha e uma sonoridade bem limpa, que eclodem em riffs e solos fantásticos.
O melhor disco para se começar e encatar-se com essa baita banda, a equação exata entre o fácil e o difícil dentro da música do Built To Spill chama-se Keep It Like A Secret. Download.

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Superchunk - On The Mouth


O Superchunk poderia muito bem ser considerada uma baita banda só por ter como membor principal o genial Mac MacCaughan, conhecido como o cara que criou a Merge, gravadora por onde já passaram banda como Trail Of Dead, Buzzcoks, Dinosaur Jr., Spoon, Teenage Fanclub, pra não citar o maior sucesso de vendas Arcade Fire e que hoje já não vive uma fase tão boa, não é mesmo Touch And Go?
Vamos combinar que essa já seria uma boa desculpa pra tu se interessar na banda do cara, mas o pior é que a banda dele é realmente boa. Formado no finalzinho dos anos 80 no Estados Unidos, mais especificamente em Chappel Hill na Carolina do Norte pelo já citado Mac, e a baixista e "a outra metade de tudo isso", Laura Ballance, tocavam o puro indie rock americano dos anos noventa.
Engraçado o fato da banda ter um selo tão massa quanto o Merge, eles começaram a carreira com contrato com a Matador Records e On The Mouth é o terceiro disco deles, saíu lá por 93, época bem ingrata pra quem não usava camisa de flanela. Tá certo que esse não é o melhor disco do Superchunk, já digo logo de cara, mas por se tratar do meu preferido, é por isso que tá aqui.
Com um início arrasador, "Precision Auto" é uma pedrada certeira, misturando velocidade e melodia, segunda característica que define bem o trabalho do grupo e que fica bem evidente nesse disco. Criticado por não ter a mesma pegada dos anteriores, pois começa rapidaço e empolgante, e durante a execução pode perder um pouco o brilho por tirarem o pé do acelerador, mas nada que não é compensado pelas ótimas melodias, o vocal agudo e ímpar do seu MacCaughan.
Muito comum chamar de evolução um caso desses, esse pode ser uma boa definição. O som clássico do grupo está presente e evidente, aquele som vigoroso com muita energia e só pra ser repetitivo, melódico, embrião de um pop-punk. Passam velozmente em "From The Curve" e "Package Thief", músicas que podiam figurar tranquilamente nos álbuns anteriores, para momentos mais lentos e não menos calmos de "Swallow That", exemplo de como fazer uma "baladinha" que culimna de maneira grandiosa. Falando em fim, o disco poderia muito bem terminar na "porradinha" de "Flawless", canção número 12, pois a última faixa, "The Only Piece That You Get", apesar de fazer bem o clima de fim de festa, não agrada muito, ponto a menos.
Pela nostalgia dos grandes tempos de Hüsker Dü e Replacements, de quando a SST era a gravadora mais afude do pedaço e a SubPop não dava nem os primeiros passos ainda, esse é o Superchunk, banda que não fez parte desse tempo, mas que mandou muito bem nos 90's. Download.

Sexta-feira, Julho 24, 2009

Cephalic Carnage - Anomalies


Escutar o álbum, analisar as músicas, pensar acerca do nome do grupo... Certas atividades tornam-se um hábito, pois o objetivo é compreender tudo corretamente. Então, constata-se que houve uma verdadeira "matança" cefálica para se fazer este disco. Cephalic Carnage, banda cujos membros devem ter quebrado a cabeça compondo - fumando quilos de maconha nesse interim - fez este álbum em 2005 e o resultado fora completamente anômalo!
Imagine uns cinco estilos diferentes de vozes: Uma extremamente gutural e para dentro (à la Dying Fetus), uma rasgada e aguda (no melhor estilo Travis Ryan, do Cattle Decapitation, que por sinal fez uma participação em uma das faixas), outra mais gritada a modo grind (lembrou-me Cripple Bastards), um gutural tradicional e pra fora e mais uma que é, no mínimo, indescritível. Ok, feito isso, imagine a velocidade do grindcore sendo combinada com a técnica do death metal. Em meio à fusão, breakdowns de hardcore moderno aparecem aqui e ali, bem como uma enorme dose de experimentalismo (fazer as guitarras "saltarem" com aqueles sons agudos, seguir escalas atípicas, etc) instrumental e da produção de estúdio (a qual dá uma enorme ênfase a tudo, tornando o álbum extremamente memorável). Entendeu? Independente de sim ou não... Tem mais! E por tudo que o próprio grupo se diz do estilo "Rocky Mountain Hydrogrind". Obviamente é um modo humorístico para explicar o fato de o som deles ser realmente único, mesmo absorvendo influências de muitas bandas já consolidadas e conhecidas. É como eu já disse em outro caso: O som não é novidade, mas o modo como o fazem é, sim, único e interessante!
Anomalies é o álbum mais "alternativo" deles. É tão variado, tão despreocupado em certos momentos, que causou repulsão aos fãs mais conservadores. Como andei vendo na faculdade (fato que explica a quantidade pequena de posts nos últimos tempos), na cadeira de Lingüística II (ou Elementos de Fonética e Fonologia), não existe "certo" ou "errado". Existe a percepção de cada indivíduo. Eu sempre soube disso, apesar de volta e meia vir aqui escrever pra vocês no modo imperativo como se a minha visão fosse "a verdade". Bom, acredito que deu para entender. O que há neste álbum dependerá do que você conhece, do que lhe agrada, do grau de receptividade a misturas incomuns que você tem e de alguns outros pequenos fatores. Se você aprecia do brutal death ao grind, transitando entre mathcore, hardcore moderno, jazz e música experimental num conceito geral, tende a apreciar Anomalies em demasia! Se misturas incomuns lhe desagradam, se você acha que uma banda de death metal 'se' vende ao flertar com o hardcore moderno ou acha aquela parada experimental uma tremenda babaquice, então o álbum será algum adjetivo maléfico oriundo de sua mente. Baseado no que conheço, ouvi e me agrada, afirmo que Cephalic Carnage é uma das bandas mais "loucas" que já pisaram no planeta Terra! Basta apreciar as mudanças bruscas de peso, clima e velocidade em "Scientific Remote Viewing", o humor muito bem feito em "Dying Will Be The Death Of Me" (paródias para com as bandas de metalcore - no mau sentido - de lá) e na longa obra de encerramento, "Ontogeny Of Behaviour", a da qual prefiro me abster dos comentários e deixá-los a cargo de vocês. Obviamente só essas foram citadas para não lhe tomar mais tempo, visto que o texto já está enorme. E quanto à capa, parece-me com uma zoeira relacionada ao Dani Filth.
Acredito que o álbum tornou-se tão maravilhoso à minha pessoa pelo "simples" fato de, no decorrer da obra, perceber-se que soa como a junção de várias bandas e estilos que me agradam em cheio! Por isso que é excelente do início ao fim. Não é reto, então não enjoará ali pela quarta música. Vai progredindo faixa por faixa - mas desde o início é matador! Dê o play e testemunhe. Download.

Valkyrja - The Invocation Of Demise


Black Metal é um estilo com altos e baixos - infelizmente mais baixos do que altos. Tomamos como exemplo a Suécia: De lá que vieram Dark Funeral, Marduk e Vintersorg - algumas das mais interessantes bandas do estilo no mundo inteiro.
O grande problema é quando os conterrâneos deles acabam por fazer uma cópia pouco fiel de alguma delas ou juntam influências de várias para compor um material que acaba por sair bem inferior ao que se espera. É o caso da Valkyrja.
Tudo que há em The Invocation Of Demise, o primeiro full-lenght do grupo, lançado em 2007 e relançado agora em 2009 pela Metal Blade, é deveras genérico e sem grandes atrativos. Em suma, a síntese das canções é uma breve pincelada dos grupos já citados acima com aquele clima mais lento e frio, em certos momentos, e um tanto quanto trabalhado (em comparação ao black metal moderno, o qual costuma ser muito reto e veloz) em decorrência do provável fato dos membros terem apreciado muito Bathory durante a formação de seus gostos musicais. O ponto mais fraco do álbum vem em decorrência do vocal. Pouco expressivo, de tonalidade bem "morna", chegando a cantar sem vontade, de um modo que nem a produção o salva! "The Vigil" e "As Everything Ruptures" evidenciam isso muito bem ao final de alguns versos. Em contrapartida, os highlights ficam a cargo dos guitarristas, ambos conseguindo criar uma e outra parte que é o que salva o material, tais como em "Stillborn Wings" (fundido violões mórbidos às guitarras estridentes) e no solo recheado de feeling (raridade, hein?) da já mencionada "The Vigil" - reparando o estrago ocasionado pelo vocal.
Considerando também o fato de que duas músicas são regravações, não resta dúvida de que o disco deixa a desejar. A não ser que você seja um fanático pelo gênero, a audição é desnecessária, pois há bandas muito melhores (IXXI, por exemplo, resenhada há algumas edições atrás) a se conhecer. Download.

Quinta-feira, Julho 23, 2009

Minsk - With Echoes In The Movement Of Stone


É com o nome da capital da Bielorrúsia que este quarteto americano despeja criatividade e psicodelia em seu terceiro álbum!
Minsk está na ativa desde 2002, fazendo um som auto-batizado de "psychedelic metal". Sempre foram adeptos de músicas longas e progressivas, oscilando muito entre as velocidades, recheando-as de teclados, samples e atmosferas, também com muito peso em todos os instrumentos e uma enorme variação vocal (desde limpos em dupla, à maneira Pink Floyd, a gritados desesperados). Os climas transitam entre uma calmaria serena a momentos densos e macabros. Como já dá para ir imaginando por essas características, absorvem muito do Doom Metal, do Sludge contemporâneo, da música ambient e da tendência experimental.
With Echoes In The Movement of Stone possui uma hora de duração e fora produzido pelo baixista, vocalista e tecladista do grupo, senhor Sanford Parker. Faixas como "The Shores of Transcendance" e "Requiem: From Substance to Silence" certamente lhe renderão uma grande viagem, caso escutadas nas condições exatas. Digo isso porque é aquele álbum para ser apreciado com calma, sem demais ocupações, preferencialmente à noite. Assim, dará para perceber muito do trabalho "escondido" nos detalhes, compreender as progressões e contemplar a beleza das melodias!
Minsk, a par da Rosetta, é uma bandas que conseguiu absorver influências de Neurosis e Isis sem soar como uma cópia, visto que há todo um experimentalismo flertando com estilos mais incoumuns e técnicas mais distintas. Download.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Obituary - Darkest Day


Se tu acompanhas o blog assiduamente, deve estar lembrado do álbum Bloodline, dos Tardy Brothers, resenhado aqui há poucos meses atrás. Lembra-te do que eu disse acerca de o álbum ser um aperitivo para o novo do Obituary? Pois é!
Darkest Day vem absolutamente melhor do que o aperitivo! Ao dar o play, não se apavore com os segundos iniciais de "List of Dead". Aparentemente, não passam de uma zoeira, pois a qualidade é horrível, pior do que uma fita cassete. Logo, porém, a sonoridade real vem à tona e a música dotada das já tradicionais características memmoráveis do veterano grupo oriundo da Flórida: Vocal rasgadão e com tonalidade praticamente única de John Tardy, progressões de tempo efetuadas por todos os instrumentistas e, no mínimo, uns 4 solos de guitarra! Infelizmente, as outras músicas não mantêm o mesmo potencial, mas não por isso que sejam desapontadoras. Ao longo das canções, despejam aquele death metal bem variado, ora mais cadenciado ("Your Darkest Day") e ora em tempo médio avançando para rápido ("Blood to Give"). Digamos que o clima é mantido em menor ou em semelhante grau durante o álbum, em decorrência das dezenas de solos (isso realmente foi legal! Não cheguei a contar todos, mas certamente são dezenas de solos virtuosos ou no feeling) e dos elementos tradicionais do Obituary.
Apesar de tudo, não chega a ser um CD excelente. Como diria alguém que conheço, é "mais do mesmo". Um tanto quanto surpreendente é o fato de a obra possuir 52 minutos de duração em 13 faixas! É uma quantia bem alta até, levando em conta o fato de terem lançado o disco anterior, Xecutioner's Return, em 2007.
Nada melhor nem muito inferior aos outros discos lançados recentemente. Obviamente é aquele play que agrada, permanecerá algum tempo no seu rádio - ou playlist -, mas depois será só um álbum. A quem não conhece esses tiozões veteranos do death metal americano, aqui está uma ótima oportunidade. A quem já conhece e aprecia, mais um álbum digno de se ouvir. Download.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Rytmihäiriö - Surmaa Kännissä


Surmacore. Aparentemente um nome absurdo, mas a própria banda explica: "Uma mistura única de hardcore, metal e história homicida da Finlândia".
Os rapazes iniciaram as atividades em Helsinki, no ano de 1988. Os primeiros registros são datados dos anos 90 - dois EP's - e o primeiro full veio em 1991. Em 1992 houve a dissolução do grupo, o qual retornou somente em 1998. Surmaa Kännissä é um EP e fora lançado em 2002, marcando pela estréia do vocalista Unto Helo (até então mais conhecido por ter atuado em três populares filmes finlandeses para adolescentes).
São sete músicas e quase treze minutos de duração. Pura pancadaria raivosa! É o hardcore antigo e pegado, na veia européia, fundido com algumas doses de death/grind, resultando no tal "surmacore". É difícil dizer qual a característica mais atraente do grupo... Talvez o vocal grossamente gritado em finlandês (imagine! Chega a soar meio cômico para nós que pouco utilizamos o "k" ou vários ditongos em uma mesma palavra) ou a bateria extremamente pegada. Se bem que as guitarras velozes dão um grande gás a tudo. É, realmente... O melhor é a síntese.
Ainda hoje estão na ativa, tendo lançado um CD no ano passado.
Além disso, foram a primeira banda do selo Spinefarm, em 1991. A tradução do nome da banda é "arritmia" e alguns membros e ex-membros tocam/já tocaram em outras bandas relativamente grande ali da região, tais como Wind of Pain e Amen. Altamente recomendável! Download.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Meniscus - Absence Of I


Vem da Austrália este surpreendente trio. Devido ao grande e bonito trabalho que executam, com influências de post-rock, post-metal, rock progressivo, chame-do-que-quiser, fazem músicas muito agradáveis e recheadas de elementos (em doses moderadas, eu quero dizer, portanto não fique imaginando um avant-garde), realmente muito relaxante, principalmente para apreciar à noite, podendo focar a atenção só na música - como deveria ser com qualquer álbum -, enfim... São surpreendentes por isso.
Ainda não são um nome famoso, mas se as bandas forem famosas devido a uma proposta um pouco diferenciada, certamente serão em breve. Digo isso porque tocam canções com suaves e formosas melodias, ocasionalmente fundidas a guitarras bem pesadas e distorcidas, alterando, daí, para uma longa e serena viagem através de solos progressivos e percussões tribais - dotadas daquela imagem praiana, provavelmente oriunda daquele solo terrestre.
O disco possui cinco faixas. "Cusp" é a primeira e sempre uma das melhores. Em virtude de todas serem boas, depende de qual "área" você decidir priorizar para falar "esta é a melhor". Por exemplo: Se você quer uma para repousar e ficar pensando por longos minutos sem se desconectar da música, escolha "Mother". Se preferir uma não tão extensa, mas mais experimental (com direito a um som similar ao de um inseto voando perto de seu ouvido - aliás, parece uma tentativa de fazer algo ambiental), escute "Pilot". A obra é encerrada por "Idiot Savant - Far", com 22 minutos. A maior parte deles deve ser uma gravação de campo em plena praia, à noite, pois tem ventos e insetos (provavelmente uma praia recheada de árvores, como as típicas do continente australiano). Contudo, elas são do final. Antes temos passagens que tornam essa a faixa mais pesada do registro!
Meniscus é um nome novo e interessante, o qual venho apreciando ocasionalmente há alguns meses. Apresentam-nos um trabalho maduro e até diversificado, tendo em vista que muitas das bandas do gênero, hoje em dia, são legítimas cópias de algumas pilares do mesmo gênero - mal que não assombra um único estilo, como podemos ouvir diariamente, caso quisermos.
Ainda há tempo para que mais pessoas os conheçam. Absence Of I é o único material do grupo e fora lançado em 2007, portanto podemos perceber que estão no caminho - fazendo shows e efetuando demais compromissos. Acredito fielmente que possam criar mais discos interessantes e crescer em todos os sentidos! Download.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Karl Sanders - Saurian Exorcisms


Demorou, mas a espera compensou! Cinco anos após lançar seu primeiro trabalho a solo, Karl Sanders esteve demasiadamente ocupado com os lançamentos seguintes de sua banda: Annihilation of the Wicked e Ithyphallic. Foram imensas turnês e demais compromissos as causas da demora, mas, novamente, digo que valeu a pena esperar. Sim, pois Karl nunca decepciona! E poderia ser diferente com este registro? Saurian Exorcisms é, sem dúvida, um dos melhores e mais surpreendentes lançamentos do ano.
Se Saurian Meditation fora feito para a meditação, este segundo disco também corresponde ao nome. As composições mantêm o que já havia antes: Batidas tribais, cânticos no dialeto egípcio, instrumentos orientais e, em decorrência de tudo isso, aquela atmosfera única. Pois bem, o diferencial é que poucas das músicas aqui contidas são para relaxamento. Lembra-se da bela "Of The Sleep Of Ishtar"? Aqui há um caso na mesma intensidade, só que deveras demoníaco em vez de tranqüilizante. "A Most Effective Exorcism Against Azagthoth and His Emissaries" é o nome da obra onde conferimos um verdadeiro exorcismo! Uma mulher agoniza, possessa; os rítmos das cordas e das batidas são hipnóticos, os gritos - nos momentos mais críticos - chegam ao ponto de soarem rasgados, maléficos e atormentados; os coros masculinos apavoram, a ponto de erguer os cabelos dos braços do ouvinte. A fusão de tudo soa genuinamente como um tipo de cerimônia. Em comparação a algo daqui, talvez se assemelhe a um terreiro de Umbanda - ou de qualquer religião/culto cujos seguidores entram em transe e incorporam divindades ou espíritos. Realmente é difícil descrever, pois não se assemelha com nada que eu já tenha apreciado. A comparação foi uma tentativa provavelmente mal sucedida. Enfim, de longe é uma das canções mais memoráveis! O registro, porém, é iniciado com "Preliminary Purification Before the Calling of Inanna". Importante deixar claro que os títulos possuem conexões com a musicalidade. Como fica notável aqui, essa faixa seria o prólogo às invocações e ritos que se seguem. Por ser uma purificação, é calma e linda, com direito a uma sublime flauta. "Rapture of the Empty Spaces" dá seguimento ao espetáculo sonoro, apresentando alguns cânticos de exorcismo. O clima oscila entre a beleza serena e uma atmosfera que encaminha-se às trevas. "Contemplate This on the Tree of Woe", em contrapartida do pensamento que vinha crescendo, soa como mais uma purificação. Muito, muito linda! Há ênfase nas cordas, as quais reproduzem solos e escalas harmoniosas. Como já fora dito muito sobre Karl aqui neste blog, acredito que maiores informações acerca de sua vida são desnecessárias, portanto continuamos a analisar a estrutura e o poder das canções. Ritmos compassados, notas memoráveis e repetitivas, sons do interior de um templo e graves vozes masculinas estão contidas em "Slavery Unto Nitokris". Digamos que é uma preparação para a inovação da seguinte: "Shira Gula Pazu". Muita atenção agora! Os vocais urrados e agressivos, presentes em certas faixas do Nile e também no álbum anterior, acompanham os coros, na mais veloz de todas as músicas em matéria de execução. Além disso, há uma progressão assusadora! Isso engloba tudo que o termo possa oferecer: Variações constantes e calculadas de velocidade, enorme variedade de instrumentos, transitando entre a calmaria até a mais mórbida sensação despertada por uma mulher a gritar como se estivesse morrendo, jamais esquecendo os dedilhados e escalas que Karl debulha em, no mínimo, três instrumentos de corda simultaneamente. A esta altura é difícil não constatar e se fascinar pelo fato de todas as faixas possuírem os mesmos tipos de instrumentos e vozes, embora cada uma tenha suas particularidades. "Kali Ma" é guiada por percussões graves, invocações guturais e trombetas agoniantes! Essas últimas são peculiares em algumas obras do Nile. Como vi alguém comentando: "Finalmente! Um álbum cheio de intros do Nile". Faz sentido. "Curse the Sun" retoma os momentos pacíficos. Bases memoráveis envolvem suaves solos, enquanto você pode fechar os olhos e tentar se imaginar no Egito, em algum tempo extremamente remoto. O disco é maestricamente encerrado com "Dying Embers of the Aga Mass Sssratu", faixa com seis minutos de duração, relembrando a flauta da faixa inicial, mas pintando cenas agoniantes ao fundo, através de gritos e suspiros altamente audíveis, intercalando vozes de fêmeas e machos. Grosseiramente resumindo, é a síntese de todos os intrumentos, elementos e climas apresentados no decorrer do álbum. Um final matador, para um álbum com um início e um desenvolvimento igualmente matadores!
Se restava dúvida a alguém - o que é difícil, mas não impossível - quanto a todo o talento de Karl Sanders, seja através de suas músicas brutais com o Nile ou meditativas (agora também exorcistas) com o projeto solo, elas são massacradas por este novo álbum. É mais um alicerce, por assim dizer, para consolidar o nome entre os dos músicos mais criativos, versáteis e surpreendentes de todos os tempos. Download.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Bongzilla - Amerijuanican


Seguidamente, ao escutar ou analisar qualquer gênero musical com guitarras pesadas, lembro-me da banda que me introduziu nestes mundos: Black Sabbath. Depois, relembro a história e, mais uma vez, o embrião veio com eles: Black Sabbath é a raiz de uma árvore repleta de galhos. Hoje, já nem escuto com a mesma freqüência, pois são tantas as bandas e os estilos apreciados que não há como passar o dia do mesmo modo que eu passava quando tinha 12 anos, ou seja, escutando Black Sabbath. Contudo, confesso que é muito lindo e animador botar a tocar este CD do Bongzilla e logo nos primeiros acordes já sentir a influência e - por que não? - o tributo aos mestres! Mais pesado, mais ofensivo, mais chapado, muitos "mais", sem perder a essência. Diversos são os casos similares, tais como o grandioso Soilent Green, mas o Bongzilla chuta demais o balde na hora de relembrar o embrião.
Amerijuanican, lançado em 2005 e também o último material do grupo até o presente momento, como dá para notar pela síntese dos nomes (banda, disco, músicas) e pela capa, fora criado sob a influência da Cannabis e dedicado à mesma. Enquadra-se tanto na classificação de um disco de heavy metal dos primórdios quanto um do não tão velho sludge ou pelo termo mais comum empregado às bandas mais chapadas, ou seja, stoner metal. Suas faixas são recheadas de riffs e linhas de guitarra memoráveis, vocais vomitadões, muito groove e swing, contra-baixo muito perceptível e bateria variadona. Resumidamente falando, é o Sabbath de um Vol. 4 (ou qualquer um dos primeiros discos) muito mais extremo! Ainda há também uma certa dose de experimentalismo na canção "Stonesphere". São 12 minutos de muita tosse, muitos solos de guitarra, barulhos de bong e esqueiro... Enfim, é uma faixa extremamente agradável e no mínimo risível (no melhor sentido) caso você escute na mesma situação em que os músicos da banda se encontram na maior parte do tempo (inclusive quando escreveram e gravaram o disco). Fica difícil também dizer o que é melhor: O começo, meio ou o fim. Pois visto que inicia extremamente marcante com a faixa-título, encerra-se com "Champagne & Reefer" - faixa dotada de todas as características já citadas, mas desta vez acrescentando uma levada de blues bem na manha, extremamente digna de elogios!
Como ocorre com alguns outros álbuns, dependendo da condição melhora mais ainda! Já é muito bom por si só, mas admito que... Então, meu (minha) caro(a) leitor(a), chame os amigos (ou alguém com quem você se sinta bem), roll on a big joint, burn it and be happier! Download.

PS: Reflita acerca da capa. O mundo seria absurdamente melhor se as pessoas parassem de matar umas às outras através de guerras ou qualquer tipo de terrorismo, se ficassem fumando Cannabis. Se a erva fosse legalizada, crianças não precisariam pegar em armas para o tráfico abastecer as cidades. Se qualquer cidadão podesse plantar seu pé (aliás, proibir o cultivo da planta é contra a natureza, visto que maconha não se faz em laboratório como o crack ou o pó da cocaína), dificilmente haveria o tráfico e a grande teia de corrupção e marginalidade que o envolve. Mas, né, as pessoas preferem acreditar que Cannabis destrói e leva à degradação do invíduo, por causa de toda essa falácia dos governos (os mesmos que dão hospitais e escolas podres à população, isso quando dão, e que estupram seus bolsos com impostos ridículos cujas verbas são desviadas sabe-se lá para onde) ou de qualquer outro meio de manipulação das massas (a mesma religião que diz que o todo poderoso Deus criou tudo, mas depois diz que a maconha é criação do demônio, é um bom exemplo). Mas eu ainda tenho esperanças de poder algum dia sentar numa praça pública e queimar um escutando música ou lendo um livro... Não quero dizer, com tudo isso, que todo usuário é um cidadão de bem. Sempre houve e provavelmente sempre haverá algum mal intencionado se aproveitando das propriedades do fumo, mas pense nisto: Michael Phelps (o maior nadador de todos tempos), Giba (um dos melhores ateltas do vôlei mundial), inúmeros escritores, músicos, médicos, psiquiatras e até advogados são usuários. "Ah, mas é na maconha que se inicia o uso de drogas pesadas!" - já advirto ao indíviduo que quer ver dragões ou qualquer anomalia que a maconha não lhe dará isso. Está mais do que óbvio que o problema não está na planta! O problema está na cabeça do indivíduo.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Job For A Cowboy - Ruination


Um nome estranho e uma abordagem sonora distinta fizeram os americanos do JFAC explodirem em 2005 após o lançamento do EP Doom. Considerado por muitos como mais um material do famigerado "deathcore", a realidade é que o trabalho do grupo já ia bem mais além (de "core" só os breaks monotônicos, pois a estrutura geral era de um death progressivo sem traços genéricos), fator que não foi o suficiente para livrar a banda da perseguição dos tr00 headbangers que, em muitos casos, nem ouviam o material, apenas julgavam a banda pelo visual "franjinha no olho" e pronto. Não obstante a qualidade do EP, os caras decidiram mudar radicalmente: Tornaram-se adeptos de um death metal reto, sem breakdowns, com letras criticando a religião cristã e por aí vai. Genesis, de 2007, foi o álbum que marcou essa mudança. Mas não foi o suficiente, pois a banda estava bem imatura e despreparada para executar tal proposta com firmeza. Agora, finalmente, dá para dizer que alcançaram o tão almejado objetivo: Ruination mantém a mesma idéia de Genesis, todavia aprofunda-se bem mais: Musicalidade mais cativante, interpretações mais maléficas, uma precisão enorme, mais criatividade, temas mais macabros e uma produção 'classe A' fazem dele o disco que a banda, ou melhor, que Jonny Davy e Brent Riggs - os únicos membros originais - quiseram fazer antes e não conseguiram.
O álbum abre com uma das melhores faixas: "Unfurling a Darkened Gospel". Vorazmente veloz, (re)apresentando a síntese dos vocais rasgados e guturais, ainda com direito a solo de guitarra em dupla no seu clímax, a música é um excelente prólogo à porradaria desenfreada que se segue. "Summon the Hounds" vem na seqüência e não dá folga ao ouvinte! Sua "invocação" é realmente malevolente e faz-nos dar aquele sorriso à primeira audição, visto que é um belo modo de representar o título. "Regurgitated Desinformation" traz uma rifferama muito técnica, veloz e empolgante, sendo também um dos grandes destaques, ao lado de "Constitutional Masturbation" e sua memorável linha geral dos instrumentos (cativante e de fácil absorção). Se você acompanhou o MySpace da banda antes do lançamento, deve estar notando que eles lançaram primeiramente só as melhores, para depois despejar o álbum na íntegra. No mais, escute o avassalador e apocalíptico solo de "March To Global Enslavement" e preste atenção no final trabalhado e épico dado pela faixa-título - depois disso não haverá dúvida do quanto os moleques progrediram e caminham em direção a algo muito maior!
Se manterem a intensidade deste melhoramento, o próximo álbum será um marco. Ruination é bom, inquiestionavelmente melhor que seu antecessor, embora não seja excelente. Apesar da melhora, os rapazes precisam ter umas aulinhas de Suffocation, Deicide e Nile para soarem totalmente "do mal", como pretendem. Download.

Converge - No Heroes


O Converge teve um bela introdução em nosso blog com seu elogiadíssimo disco Jane Doe, considerado uma obra prima da música extrema e pesada, com méritos de sobra, esta é a vez de conferirmos No Heroes, sexto álbum do quarteto de Masschusetts, lançado em 2006 pela Epitaph (?) e é o último trabalho do grupo até o momento.
Desde 2001, quando lançaram Jane Doe, os rapazes do Converge chegaram a um patamár que poucas bandas conseguem; só fizeram discos acima da média. Em 2004 foi o You Fail Me, o primeiro disco do grupo que conseguiu um certo êxito comercial, tendo em vista que a banda é independente e também pelo estilo musical (Hardcore-Punk / Matcore) manteve o trabalho do disco anterior, porém com uma repercurssão ainda maior.
No Heroes, de 2006, consolidou de vez o Converge dentro do cenário da música extrema. Eu arrisco a dizer que o Converge é, ao lado do Botch, ícone e referência quando o assunto é o tal "Mathcore". A carreira do grupo chegou a um ponto em que fazer uma resenha é totalmente em vão, pois o som do grupo é bem "único", então em todos seus trabalhos, eles não desapontam nenhum fã que espera grandes doses de metal e hardcore.
O disco pode ser dividido em 3 partes, a inicial, que vai da faixa 1, "Heartache", até a faixa 6, que leva o nome do disco, isso em torno de 10 minutos. Aí vem a divisão do disco, "Plagues", que acalma os ânimos com sua guitarra lenta e pesada ao cubo, introduzindo à progressiva "Grim Heart / Black Rose", música de estrutura complexa, longa duração e que chama atenção pela mudança de voz de Jacob Bannon, do gritado saturado para uma emulação de vocalista genérico de Hardcore.
É dessa parte em diante que começa ficar mais interessante ainda, eles resolvem misturar com mais intensidade a agressão inicial com a complexidade de ritmos, "Lonewolves" é cheio de escalas guitarrísticas e junto com o vocal chega a lembrar o falecido Fugazi em certos momentos. "Versus" é um grande exemplo de como se espancar uma bateria, e se até aqui tu não tiver com a cara cheia de ematomas, as últimas duas músicas farão o serviço sujo.
Pelos momentos mais experimentais do disco, houveram algumas críticas a isso, também algumas sugerindo que em certos momentos do disco, faltava um pouco de inspiração. Dizem que o trabalho do crítico é exatamente esse, mas não se engane, No Heroes é um disco de pura raiva, revolta, paixão e potência, que vai nos preparando para seu novo lançamento, que irá provar se eles são realmente intocáveis. Download.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Sunn O))) - Monoliths & Dimensions


Não sou o maior fã de Sunn O))) e talvez nem seria a pessoa mais indicada aqui a fazer esse serviço sujo de descrever o novo trabalho do duo drone doom americano, porém fiquei extremamente impressionado com a qualidade do trampo e mais ainda, como uma banda tão anticomercial conseguiu - e consegue - um êxito tão grande com a mídia e crítica e ainda mais com os diversos ouvintes.
O grupo já não é mais novidade pra ninguém que está atualmente ligado ao mundo da música hoje e pelo peso de seu som, e toda essa estética dark envolvida em seus discos e shows, o primeiro rótulo a vir a cabeça é o famigerado "metal", mas acabei me enganando um pouco.
Tá certo que o rótulo mais correto para se designar o Sunn seria o Doom, ou seu subgênero, Drone Doom, mas o "real" som do grupo origina-se do cultuado e revolucionário Earth, uma banda que estava ligado diretamente ao rock alternativo. Acho que essa é a única razão que eu encontro para explicar porque eu encontro mais resenhas e menções desse discos em sites de rock alternativo e indie do que em sites e blogs mais "do mal" e é por isso que eu acho o Sunn O))) um dos grupos mais interessantes de nossa época.
Monoliths & Dimensions já é o sexto disco de estúdio do duo que consiste em Stephen O'Malley (que participa também do Khanate e Burning Witch) e Greg Anderson (do Goatsnake) lançado este ano pela Southern Lord, um selo referencial no estilo. O álbum conseguiu um destaque ainda maior que seu antecessor, Black One, e levou em torno de 2 anos até estar completo. Várias participações especiais, como da lenda Dylan Carlson do Earth, o compositor Eyvind Kang, que já trabalhou com John Zorn, Mike Patton, Beck e Secret Chiefs 3, o húngaro Attila Csihar, vocalista do Mayhem, entre outros músicos, de arpa e flauta, piano, contrabaixo, cordas e vozes femininas pra lá de macabras.
Mais que notável, o grande destaque do disco ficou por conta da inovação do grupo e a quebra de barreiras, por misturarem o seu som monolítico e denso com a música clássica, resultando em quatro sons realmente apocalípticos. E dentro as quatro músicas, é a faixa número dois que carrega todo esse frisson, "Big Church" é uma das músicas mais geniais dentro do repertório do grupo e dentro do estilo. Aliando o peso e andamento tradicional com guitarras levemente dedilhadas, vocais femininos horripilantes, uma narração rouca e monstruosa, criam a sensação do ouvinte estar preso em alguma catedral realmente assustadora, cercado de fantasmas e espíritos, te levando ao desespero ao longo de seus quase 10 minutos.
Mas eu também destaco a faixa número um, batizada de "Aghartha". Ponto forte na construção desse disco foi o grupo ter deixado a parte conceitual nas mãos de Attila, que fez um trabalho fantástico (quem quiser mais detalhes, aqui vai uma entrevista longa e detalhada sobre todo o trabalho do cara e sobre cada canção - em inglês). Esta primeira faixa fala sobre a lenda de um continente chamado de Agharta, que estaria situado entre o núcleo do terra e nossa superfície, e o único meio de se chegar até lá, seria através dos pólos. Nesta entrevista ele explica que ninguém nunca conseguiu chegar perto, e quem foi, nunca mais voltou. Devido ao magnetismo presente nestas áreas, marinha e aeronáutico proibem qualquer tipo de tentativa de visita a estes pontos, fazendo que cresce ainda mais a dúvida e a curiosidade.
Na canção, essa idéia é trabalhada severamente mais forte do que neste texto, logicamente. Além do lirismo, a interpretação vocálica assustadora, aliados aos efeitos de som, como água e barulho de cordas, criam um clima de viagem em um barco fantasma em direção ao fim do mundo. Difícil de se escrever é dificilmente igual criar alguma conclusão para fechar este texto, mas independente de tudo que se diz a respeito do grupo, das diversas críticas aos elogios, fizeram algo mais acessível, em comparação a trabalhos anteriores, e ao mesmo tempo criaram um disco ímpar, abrindo um novo horizonte pro grupo. Ouça em alto e bom som. Download.

Terça-feira, Junho 30, 2009

Converge - Jane Doe


Converge, resumidamente falando, é uma super banda. Não, não estou falando de uma banda formada por músicos de diversas outras bandas e cuja reunião resulta em algo grandioso - embora o som deles, principalmente neste álbum em questão, seja deveras grandioso. Digo isso porque todos seus integrantes são dotados de diversos talentos!
Jacob Bannon, além de ter uma voz rara e muita expressão, é consagrado artista visual - efetuando até algumas capas do próprio Converge -, ativista pró-vegetariano e muito mais. Algumas bandas para as quais ele realizou trabalhos (desde capas a logos ou algum tipo de design): Disfear, Poison The Well, Modern Life Is War, Goatwhore e dezenas de outras. Kurt Ballou, além de dominar a guitarra e o teclado, canta em certas ocasiões e já é um consagrado produtor! Bandas com as quais trabalhou: Torche, Misery Index, Genghis Tron, Trap Them e muitas outras. Nate Newton, o baixista, também é guitarrista e vocalista em outros dois projetos: Old Man Gloom (com Aron Turner, do Isis, e Jay Randall, do Agoraphobic Nosebleed) e Doomriders. Ben Koller, baterista, pode ser o enigmático baterista do United Nations.
A banda surgiu em 1990 e, de lá para cá, já lançou sete álbuns (fora as várias demos, um EP e diversos splits com nomes do calibre de Brutal Truth)! O oitavo é planejado para ser lançado em vinil neste mesmo ano em que estamos vivendo pelo selo Deathwish Inc. (pertencente a Jacob) e em CD pela Epitaph. Jane Doe é o quinto e fora lançado em 2001.
É completamente difícil fazer uma resenha minuciosa acerca da musicalidade e dos demais fatores que influenciaram o álbum. Há uma presença predominante do hardcore punk, mas há também arranjos bem complexos, quebradas de tempo e uma caoticagem tradicional do mathcore. O vocal de Jacob é extremamente gritado e chega a soar distorcido, dando um certo ar de noise. As composições são dotadas de muito sentimento! E independente do tipo, seja algo raivoso ou um profundo lamento, a síntese de todos eles contribui para o bom decorrer das canções. Cada vez que escuto, uma atmosfera diferente é abosrvida. Acredito que seja devido à enorme quantidade de "informação" aqui presente. Por isso, visto que são alguns meses escutando o disco, recuso a fazer algum tipo de julgamento ou algo mais minucioso. Prestou atenção em tudo que foi dito logo acima? Pois bem, acredito que isso lhe dará uma base do talento dos músicos. Só acrescentando, andei escutando o álbum You Fail Me e não senti a mesma intensidade de Jane Doe. De fato, esse foi considerado por muitos dos fãs como o ápice do Converge! Sem mais, baixe (ou compre) e seja feliz! Download.

Sábado, Junho 27, 2009

Graves Of Valor - Salarian Gate


Originalmente batizada de "From Graves Of Valor" e tocando um som deveras mediano, a banda oriunda da Carolina do Sul (terra do Nile) e criada por três ex-membros do Through The Eyes Of The Dead e mais dois rapazes revigorou toda sua sonoridade e postura com Salarian Gate!
Escancara-se a mudança logo nos primeiros acordes da primeira música - também faixa-título -, onde o peso e a sujeira da produção apresentam uma sonoridade similar àquela utilizada por bandas mais antigas da Escola Death Metal americana, tais como Deicide e Cannibal Corpse - esses influenciam até as vestes. Em seguida, a estrutura das composições, então, eliminam as dúvidas sobre este álbum ter ou não relação com a agressiva capa: Sim! Ele tem. "To Breathe Blood" e sua mórbida introdução podem ser comparadas à visão de alguém na mira daquele cavaleiro: Morte certa. Obviamente, como fica perceptível no decorrer da mesma canção, manteram alguns traços utilizados quando a banda ainda usava o "From" no nome - principalmente o vocal, embora o timbre está um pouco diferenciado. São características de bandas mais modernas, com as quais não vejo problema algum, embora devo falar que se o álbum fosse feito só delas, a capa seria ilusória e, por lógica, causaria repulsão ao ouvinte que o procurasse esperando um massacre sonoro. Retomando, eles vão criando uma atmosfera atraente durante todo o disco, tendo como destaques as rifferamas técnicas em "Suffocation of the Last King", os solos de guitarras presentes em várias das faixas e um final matador com "No Gods Left", muito resumidamente falando. Acrescentando, esta última música destoa um pouco das demais, pois é muito cadenciada. Apesar de diferente das demais, é digna das explicações e apreciação por incrementar um dark ambient ao seu início e fim, também manipulando alguns vocais urrados e deixando-os totalmente macabros, sufocados, mortais... A síntese disso tudo torna o fim memorável, criando uma vontade de escutar o álbum novamente.
Além disso, o conceito geral é muito interessante! Vai além das músicas, pois houve toda uma pesquisa sobre a Porta Salaria (muita história para comentar aqui; por favor, pesquise a respeito) e seus diversos acontecimentos. Em decorrência disso, absorvem da história para retratar sonoramente uma cena de violência perpetrada por diversos tipos de poderes que dominaram (e dominam, de certo modo) o poder no mundo atual.
Confesso que jamais esperava o fato de Salarian Gate ser tão bom. Duas audições foram necessárias para mostrar o quanto os rapazes evoluíram desde seu primeiro EP! As músicas ficaram bem mais criativas, menos apelativas, bem pesadas e geralmente bem velozes! E quando cadenciadas, conforme fora apresentado acima, são domadas com maestria. Um bom sinal de que a gurizada lá dos EUA está expandido conhecimentos ao prestar tributos às bandas mais antigas e tradicionais do gênero. Em decorrência disso tudo, soam bem mais cativantes e quase nada monótonos (e monotônicos). Dê o play e aprecia o massacre! Download.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Lay Down Rotten - Gospel of the Wretched


Lay Down Rotten é uma banda alemã cuja musicalidade foca naquele death metal característico da Europa, mais precisamente da Suécia, com direito também a riffs e solos melódicos em meio à pancadaria e à mistura da modernidade com o tradicionalismo mórbido.
Gospel of the Wretched é o quinto álbum dos tiozões, com 9 faixas em 44 minutos. É não mais que regular e nem menos que mediano, ou seja, é um disco "na metade". Possui boas intenções, mas "afunda" na hora de aplicá-las, visto que (quase) tudo soa bem genérico. Poucos são os highlights, o que não é bom num álbum onde a maioria das músicas possui mais de 5 minutos, visto que a audição torna-se entediante. Afirmo-lhe que de pouco servem solos inspirados ou demonstrações de um pulmão com grande capacidade de armazenar ar para soltá-lo lentamente através de um gutural profundo e que perdura por tantos segundos, se as introduções, os versos e a maior parte do que é tocado já foi feita tantas vezes que acaba por soar como uma má reciclagem. Em contrapartida, merecem elogios pelo balanço dos "climas" em algumas das faixas. Criam uma atmosfera mórbida e densa bem repentina, como em "Conditioning the Weak", a qual altera de riffs modernos e bateria hardcore para um tradicional death metal dos anos 90, com escalas rápidas e de sonoridade inquietante. É o que deveria ser feito em todo ou em grande parte do disco, mas ocorre somente em poucos momentos. Em decorrência disso, poucas músicas são realmente aproveitáveis. No mais, ganham mais alguns pontinhos pela ótima gravação e produção, pois ela deixou tudo bem alto, perceptível e sujo sem saturação.
Vale mais a pena conferir algum outro disco deles, como o debut Paralyzed By Fear, que soa um tanto quanto o clássico At The Gates. Download.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Carbon Based Lifeforms - World of Sleepers


Primeiro de tudo: Leia bem a proposta da dupla sueca, segundo os próprios: "... é combinar a terra e o espaço de um modo suave, mas ainda sólido, numa ampla visão musical, sem esquecer o TB-303*".
Talvez por isso que são um dos mais lindos e relaxantes projetos de ambient/chill out/downtempo. Como fica perceptível pelo nome, trata-se de uma música calma e relaxante, somada ainda com batidas (portanto o "downtempo") e, no caso do CBL, muitos samples vocais e até uma certa dose de experimentalismo em matéria de dominar/manipular as atmosferas e outros sons de teclado.
World of Sleepers é o terceiro álbum e foi lançado em 2006. Inicia com "Abiogenesis", faixa dotada do "DNA" dos CBL, visto que possui todas as qualidades marcantes que eles juntam na obra como um todo. Nela, atmosferas finas vão surgindo, acompanhadas de lindas vozes femininas puxadas do fundo da alma. Depois, entram as batidas num ritmo meio quebrado, recheadas de um tom pesado, embora jamais massacre a leviana textura dos demais elementos sonoros. "PhotoSynthesis" é uma das minhas preferidas, pois possui samples 'glitcheados', um ótimo revezamento entre suavidade absoluta (pura atmosfera) e suavidade acelerada (com batidas constantes), mas principalmente porque essa música - assim como quase todas - parece-se com um filme, devido ao modo como juntam todos os elementos e os montam estrategicamente em determinadas passagens - também é importante avisar que todas as canções são emendadas umas às outras. E mesmo dando um duro danado na produção dos sons, que como já ficou claro são bem ricos, ainda me fizeram pesquisar a respeito dos títulos das obras, tais como "Betula Pendula" (tipo de árvore encontrada na Europa e em certos lugares da Ásia, cujas folhas são usadas em saunas para relaxar os músculos) e "Proton / Electron" (obviamente todo mundo sabe o que são prótons e elétrons, mas aqui o interessante é associá-los ao nome artístico da dupla).
Carbon Based Lifeforms é um dos nomes mais presentes em minhas playslists noturnas (juntamente com Biosphere e Bluetech) - aquelas que deixo rolando para dormir e viajar tranqüilamente pelo mundo onírico. Não obstante, há outros casos além de mim. Basta observar que são muito apreciados por pessoas de todo o globo terrestre e muito adorados no mundo do "chill", tanto pela abordagem psicodélica quanto pelo ótimo trabalho das batidas. Uma recomendação bem sincera a quem já aprecia ou pretende conhecer esse gênero eletronicamente relax! Download.

*Tipo de sintetizador criado nos anos 80 e muito utilizado até os dias de hoje.

Quarta-feira, Junho 17, 2009

The Number Twelve Looks Like You - Mongrel


De uns tempos para cá, mathcore (por mais que muitos digam que isso não existe ou chamem do que quiserem, o fato é que, sim, o termo serve para agrupar um considerado número de bandas que fazem um som similar, focando principalmente numa caoticagem ou complexidade, não excluindo a tranquilidade ou passagens mais alternativas, tendo como origem Botch e The Dillinger Escape Plan) - tanto o "antigo" como os mais modernos (esses, por vez, fundindo-se a muitos outros estilos, vide Test Switch Isolator - tem sido um estilo muito presente em meu cotidiano! Nas últimas semanas tem crescido um interesse por bandas mais marcantes, tanto por um modo positivo quanto negativo, e The Number Twelve Looks Like You é muito marcante para minha mente! E será para a tua também.
Entraremos na questão de preferências e recomendações depois. No momento, contudo, vamos explorar essa qualidade "marcante": Devido à extrema junção de estilos diversos, seja por um vocal de screamo original (agudo, sofrido, rasgado e por ora desafinado) a gritar no mesmo momento em que um baterista despeja blast-beats na caixa enquanto os pratos são socados do mesmo modo ou por guitarras progressivas e matemáticas a seguir escalas técnicas e velozes mudando bruscamente para notas repetidas e em tempo quebrado ou até por diversas outras tentativas de descrever as criações do sexteto do condado de Bergen... O que importa no núcleo da questão é que por diversos fatores como os citados acima eles irão marcar a tua mente, ocasionando em um contentamento absurdo seguido de euforia ou por um aversão tão grande quanto aquela ocasionada pelo odor disparado pelo sistema defensivo de um gambá!
Recomendo o material a quem aprecia som progressivo, transitando entre grindcore, jazz, ambiente e muito mais.
Mongrel é o terceiro álbum dos garotos. A palavra significa algo como "mistura de raças", principalmente, embora denomina ocasionalmente (e) somente "mistura". Esse é o conceito do disco: Soar indefinido, como algo nunca feito antes - por eles e pelos outros. Escute "Paper Weight Pigs" e suas cordas em ritmo de salsa! Depois, aprecie suavemente a escala matemática da guitarra soando como uma atmosfera de música ambient em "Cradle in the Crater". Imagine um filme de guerra chamado "Weekly Wars". Nele há um momento muito memorável em que os soldados expõem suas mágoas em ritmo de música de pelotão, cujo coro é altamente grave e encorpado! Algo similar a isso é feito na música de nome idêntico ao do filme do exemplo acima. O começo oceânico de "El Piñata De La Muerte" faz uma linda síntese entre som e escrita. Poderia falar de todas, bem honestamente, porém se não quer explicação alguma, escuta do início ao fim, visto que cada música é rica em detalhes!
Uma das melhores descobertas que fiz nos últimos tempos, juntamente com Ephel Duath. Experimental resumiria muito imprecisamente o verdadeiro significado da música do #12, pois até aonde vai sua noção - e por quê não a minha? - de experimentalismo? Vamos defini-los então como Mongrel - ou a ele como The Number Twelve Looks Like You. Download - e completamente legal, visto que a própria banda deixou o álbum vazar na net antes do lançamento.

Future Of The Left - Travels With Myself And Another


Surgido das cinzas do Mclusky, uma das bandas mais geniais e desconhecidas dos anos 2000, e que cometeram um dos maiores acertos musicais deste tempo, o matador Mclusky Do Dallas, o Future Of The Left também vem de Cardiff, País de Gales e faz um som bem parecido, o que deve ser encarado como algo bom. Muito bom.
Esse aí já é o segundo disco do grupo, que mudou apenas de baterista, de uma encarnação para a outra, que resultou em pequenas mudanças, botando um pouquinho de melodia e um pouco mais de polidez ao Noise Rock chute na cara.
Que a verdade seja dita, esse disco é uma maravilha, eu poderia resumir apenas em "Pegue essa merda logo e escuta BEM ALTO!".
Ironia e humor negro é pouco pra esses três magrões loucos. Eu poderia passar o dia escutando "Throwing Bricks At Trains", e eu até já tentei, não consegui por que tive que sair. só mais uma coisa: YOU NEED SATAN MORE THAN HE NEEDS YOU. Aqui.